quarta-feira, 30 de junho de 2010

"Projecto TP"

Não importa se somos apenas dois, se vinte, trinta ou cinquenta!
Aquilo que marca, que significa, que arrebata e desafia, é a intenção, a presença sentida, desejada, confiante, abandonada.
O Projecto Terço no Paredão surge dessa vontade de cumplicidade dos corações unidos no essencial; brota dessa necessidade de união dos corações, da fé, da confiança, da simplicidade, do amor. Foi assim que aquelas duas «almas», já noite dentro, decidiram rezar no Paredão, diante do mar, para tentar fazer Jesus sorrir.
Na noite seguinte eram cinco; depois vinte e um... e em cada noite, tem variado o número de presenças. Ontem cinquenta e dois, hoje quarenta e sete, jovens e menos jovens, deixamo-nos envolver por essa «onda» de fé e de prece, de intercessão e de cumplicidade.
Projecto simples, nada ambicioso, mas que tem conquistado corações; projecto humilde, mas que nos tem feito vir com as nossas histórias, as nossas vidas e, com pequenas partilhas e intenções, tem conseguido fazer do Paredão no Estoril um espaço e um tempo de oração que nos tem trazido paz, entusiasmo, sentido de pertença, experiência de comunidade...
Sabe bem, no silêncio de cada noite, mais ou menos fustigada pelo vento e pelo frio que ainda se faz sentir, a paz que emana dessa oração, dessa unidade, desse canto, desse louvor, dessa prece.
Durará muito? Pouco?
Que importa?
Aquilo que conta é que nenhum de nós irá esquecer estas noites entregues a Deus, na certeza de que caminhamos pelos trilhos do amor. Aquilo que importa é a certeza de que aquilo que vivemos jamais algo ou alguém nos roubará...
E um dia, mais ou menos longínquo, para lá das estradas pelas quais a vida nos leve, ao passarmos pelo Paredão, sempre recordaremos com paixão e com saudade, o nosso Proejcto TP.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

"Conquistados"

Quero hoje começar fazendo uma citação do Papa Bento XVI, há dias pronunciada:
"o sacerdote é um dom do coração de Cristo: um dom para a Igreja e para o mundo. Do Coração do Filho de Deus, transbordante de caridade, brotam todos os bens da Igreja, e de modo particular tem origem a vocação daqueles homens que, conquistados pelo Senhor Jesus, deixam tudo para se dedicar totalmente ao serviço do povo cristão, a exemplo do Bom Pastor. (...) Por isso os sacerdotes são os primeiros operários da civilização do amor".
Fala o Santo Padre de «homens conquistados pelo Senhor Jesus»; expressão maravilhosa que testemunha bem aquilo que define a essência de cada sacerdote: ser um coração, uma vida, conquistada, arrebatada, por Cristo.
Gosto profundamente de me imaginar assim: alguém que Cristo conquistou; alguém que Jesus arrebatou para Si mesmo, tal o amor que me tem desde toda a eternidade. Amor tão grande, amor imenso, que experienciado não conseguimos - nem podemos - guardar apenas para nós e, por isso mesmo, o queremos, entregando-nos definitivamente, transmitir a cada outro...
Gosto de sentir, de saber, de experimentar, esse «deixar tudo» para nos dedicarmos ao serviço. Deixamos tudo mas ganhamos muito mais! Deixamos uma mulher, uns filhos, uns pais, uns irmãos, uma casa, mas somos conquistados pelo coração de muitíssimos mais pais, mães, irmãos, filhos, casas... Há um mundo inteiro que cabe neste nosso pequenino coração! É o paradoxo do amor. E gostar de gostar de viver assim, "até ao fim do fim", numa aventura deliciosa onde conquistamos e nos deixamos conquistar pelos outros, peór Deus que os habita.
O Coração de Jesus é, verdadeiramente, essa Fonte donde imana e jorra toda uma vontade de criar e recriar a cada instante novas formas de experienciar esse amor que queima bem por dentro. É essa Fonte eterna que não esgota nem se esgota de nos contagiar a uma entrega sempre crescente, sempre amada, sofrida e sonhada, «até ao fim do fim», até Ele mesmo...
Uma pequenez, a nossa, de cada sacerdote, mas que vivida intensamente, em verdade, nos transforma nos "primeiros operários da civilização do amor"!

domingo, 20 de junho de 2010

"Melodia"

Diante de nós, apenas a imensidão do mar...
As ondas, turbulentas, fustigavam-nos o rosto, mas não a alma ou o coração.
E rezámos.
Como nós próprios nos chamámos, «loucos», «enamorados» de Deus, tinhamos o Céu como distinto horizonte; o sorriso de Jesus como sonho comum nos nossos corações, a alegria de Maria como desejo das nossas almas...
Quisemos e queremos ser notas de uma única harmonia, como que silêncio que enfrenta os ruídos que o mundo nos oferece; quisemos e queremos ser melodia de uma só canção e agradecer-Lhe com a vida, com a nossa vida, a cumplicidade que nos une por termos fé.
No paredão, no meio da noite, com o Terço como companheiro de jornada, encontramo-nos e deixamo-nos guiar por essa mesma melodia que é a oração confiante, agradecida, suplicante.
No meio dos jovens, peregrinos de uma outra humanidade, de uma outra Igreja, mais fraterna, mais amiga, mais solidária, mais humana e, por isso mesmo, mais divina, «sabe-me» bem essa ousadia da fé, essa «loucura» do amor.
Cada noite ali temos chegado, vindos com a nossa própria vida. Trazemos apenas os nossos corações. Mais tristes ou mais felizes, mais rebeldes ou mais serenos, mais sonhadores ou mais sangrados... E ali, como «notas de uma única harmonia», a do amor e da fé, entregamo-nos e entregamos.
Simplesmente rezamos.
E regressamos, com essa mesma vida rezada, transfigurada, solidificada pela força da cumplicidade e pela beleza da presença de Deus no meio de nós. Uma nova jornada se ergue diante de nós; e vamos vivê-la, na certeza de que somos mais de Deus, mais do Seu Coração, mais divinos, porque mais humanos...
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